Prompt
Vícios de IA na escrita
Banco vivo de padrões linguísticos que denunciam texto gerado por IA ou deixam a escrita com cara de LLM. Serve tanto para reconhecer escrita de IA quanto para negativar e lavar textos antes de publicar.
Vícios de IA na escrita
Resumo
Banco vivo de padrões linguísticos que denunciam texto gerado por IA ou deixam a escrita com cara de LLM. Serve tanto para reconhecer escrita de IA quanto para negativar e lavar textos antes de publicar, editar ou imitar uma voz autoral.
Contexto
Esta nota nasceu do arquivo vicios-ia.md da skill analise-estilo, mas tem utilidade independente suficiente para existir como nota própria no vault.
Usos principais:
- reconhecer traços de escrita de IA;
- revisar e lavar textos gerados por modelo;
- criar instruções negativas para prompts;
- comparar a voz de um autor com cacoetes típicos de LLM;
- treinar sensibilidade estilística na edição.
Como usar
Reconhecimento
Se vários padrões abaixo aparecem juntos no mesmo texto, aumenta a chance de haver escrita de IA ou texto humano excessivamente contaminado por IA.
Negativação
Ao montar prompts, transformar estes padrões em proibições explícitas ajuda:
- não usar aberturas bajuladoras;
- evitar conectivos ensaísticos automáticos;
- cortar adjetivos vazios e verbos marqueteiros;
- variar ritmo e arquitetura dos parágrafos;
- não concluir com moral da história.
Lavagem de texto
Na edição, a ordem prática é:
- cortar aberturas e fechamentos automáticos;
- substituir abstrações por verbos concretos;
- remover triádicas e paralelismos forçados;
- quebrar simetria sintática excessiva;
- trocar palavras denunciadoras por formulações mais naturais;
- reintroduzir ritmo humano, com variação real de frase e parágrafo.
Padrões principais
Aberturas e saudações
”Que ótima pergunta!”
Tipo: puxada de tapete conversacional. Descrição: abertura bajuladora antes de responder. Sinaliza IA treinada para agradar. Exemplos: “Ótima pergunta!”, “Excelente questão!”, “Adorei essa!” Variantes: “Que pergunta interessante”, “Boa pergunta”, “Que reflexão rica”. Por que vicia: RLHF recompensa calor performático. Humano quase nunca começa assim.
”Vou te ajudar com isso!”
Tipo: preâmbulo prestativo. Descrição: anúncio da intenção de ajudar antes de ajudar. Exemplos: “Claro, posso ajudar!”, “Com certeza! Vamos lá.”, “Fico feliz em ajudar!” Variantes: “Deixa eu te ajudar”, “Vou fazer isso pra você agora”. Por que vicia: o assistente anuncia o que ia fazer em vez de fazer.
”Imagine que…”
Tipo: abertura de aula particular. Descrição: começar explicação convidando o leitor a imaginar algo. Exemplos: “Imagine que você está…”, “Imagine um mundo onde…”, “Pense em X como se fosse Y…” Variantes: “Pense comigo”, “Considere o seguinte cenário”. Por que vicia: truque didático repetido até virar cacoete.
Conectivos e transições
”É importante notar que”
Tipo: ênfase redundante. Descrição: anuncia importância em vez de dizer a coisa importante. Exemplos: “É importante notar que…”, “Vale destacar que…”, “Vale ressaltar que…” Variantes: “É importante mencionar”, “Cabe observar”, “Convém lembrar”. Por que vicia: vira muleta.
”Por um lado… por outro lado”
Tipo: balanço performático. Descrição: estrutura simétrica que finge ponderar sem sair do lugar. Exemplos: “Por um lado X, por outro Y. No entanto, é preciso considerar Z.” Variantes: “Ao mesmo tempo”, “Em contrapartida”, “Por outra perspectiva”. Por que vicia: LLM é treinado a dar visão equilibrada o tempo todo.
”Em suma / Em resumo / Em conclusão”
Tipo: fechamento anunciado. Descrição: anúncio de encerramento quando o texto já está terminando sozinho. Exemplos: “Em suma,”, “Para concluir,”, “Resumindo,” Variantes: “Em síntese”, “Fechando”, “Finalmente”. Por que vicia: ensaio escolar amplificado por LLM.
”Dito isso”
Tipo: pivot ensaiado. Descrição: transição robótica entre um ponto e seu contraponto. Exemplos: “Dito isso, vale considerar…”, “Com isso em mente…” Variantes: “Posto isso”, “Tendo isso em vista”. Por que vicia: conectivo colado em tudo.
”Cabe salientar”
Tipo: formalismo empoeirado. Descrição: registro burocrático fora de contexto. Exemplos: “Cabe salientar que”, “Convém destacar que” Variantes: “Importa frisar”, “É mister registrar”. Por que vicia: respingo de texto acadêmico-administrativo em qualquer registro.
Fórmulas de ênfase e importância
”Fundamental / Essencial / Crucial”
Tipo: inflação adjetival. Descrição: carimbo de importância abstrata sem especificar para quê. Exemplos: “É fundamental compreender que”, “É essencial entender”, “É crucial notar”. Variantes: “É primordial”, “É indispensável”, “É vital”. Por que vicia: sinaliza texto inflado.
”Desempenhar um papel”
Tipo: verbo-ônibus. Descrição: circunlóquio para dizer que algo faz algo. Exemplos: “desempenha um papel importante”, “desempenha um papel fundamental”. Variantes: “tem um papel”, “cumpre um papel”. Por que vicia: troca verbos concretos por metáfora teatral vazia.
”Não apenas X, mas também Y”
Tipo: simetria forçada. Descrição: estrutura de par que alonga frase sem adicionar conteúdo. Exemplos: “não apenas eficiente, mas também elegante”, “não só X como também Y”. Variantes: “tanto X quanto Y”, “mais do que X, é Y”. Por que vicia: o modelo usa para parecer nuançado.
Verbos marqueteiros
”Mergulhar em”
Tipo: metáfora aquática. Descrição: verbo hollywoodiano para “começar a olhar” ou “estudar”. Exemplos: “vamos mergulhar em”, “um mergulho profundo em”, “deep dive”. Variantes: “aprofundar-se em”, “navegar por”. Por que vicia: virou etiqueta de blog de IA.
”Desbloquear”
Tipo: gamificação. Descrição: trata conhecimento ou prática como fase de videogame. Exemplos: “desbloquear o potencial”, “desbloquear insights”, “desbloquear o poder de”. Variantes: “destravar”, “liberar”. Por que vicia: soa a pitch tech.
”Revolucionar / Transformar”
Tipo: hipérbole padrão. Descrição: promessa de mudança radical sobre qualquer coisa. Exemplos: “está revolucionando o setor”, “vai transformar sua vida”. Variantes: “mudar o jogo”, “virar o paradigma”. Por que vicia: quase nada revoluciona de fato.
”Capacitar / Empoderar”
Tipo: corporatês motivacional. Descrição: verbos de RH aplicados a qualquer coisa. Exemplos: “capacitar equipes”, “empoderar usuários”. Variantes: “habilitar”, “engajar”. Por que vicia: vem de corpus corporativo inflado.
”Aproveitar o poder de”
Tipo: fórmula pitch. Descrição: trata ferramentas ou conceitos como força mágica. Exemplos: “aproveite o poder da IA”, “harness the power of”. Variantes: “desfrutar do poder”, “aproveitar todo o potencial”. Por que vicia: marketing traduzido.
Adjetivos denunciadores
”Robusto”
Tipo: adjetivo vazio. Descrição: aplicado a sistemas, processos e análises sem significado concreto. Exemplos: “uma solução robusta”, “análise robusta”, “framework robusto”. Variantes: “sólido”, “consistente”, “estruturado”. Por que vicia: sinônimo funcional de “bom”.
”Abrangente”
Tipo: adjetivo vazio. Descrição: diz que cobre tudo sem dizer o que cobre. Exemplos: “guia abrangente”, “análise abrangente”, “visão abrangente”. Variantes: “completo”, “holístico”, “integral”. Por que vicia: elogio automático.
”Nuançado”
Tipo: adjetivo de validação. Descrição: usado para sinalizar que o texto foi cuidadoso. Exemplos: “uma visão nuançada”, “abordagem nuançada”. Variantes: “matizado”, “ponderado”, “equilibrado”. Por que vicia: RLHF recompensa nuance; o adjetivo vira automático.
”Intrincado / Complexo”
Tipo: inflação de mérito. Descrição: afirma complexidade para validar a atenção do leitor. Exemplos: “uma intrincada rede de”, “uma complexa teia de”. Variantes: “elaborado”, “sofisticado”. Por que vicia: LLM gosta de parecer sério demais.
Estruturas sintáticas repetitivas
Tricólon compulsivo
Tipo: ritmo viciado. Descrição: tudo vem em conjunto de três. Exemplos: “claro, conciso e cativante”, “rápido, eficiente e confiável”. Variantes: qualquer lista de três forçada em prosa. Por que vicia: retórica clássica amplificada.
”Trata-se de X que Y”
Tipo: definição circular. Descrição: frase que só diz “X é Y” de forma alongada. Exemplos: “trata-se de uma ferramenta que permite”, “consiste em uma prática que visa”. Variantes: “é um processo que”, “é uma abordagem que”. Por que vicia: entope definição com enchimento.
Inversão pedagógica
Tipo: abertura de tutorial. Descrição: começa com “Para entender X, é preciso primeiro Y”. Exemplos: “Para compreender o fenômeno, precisamos antes…” Variantes: “Antes de mergulhar em”, “Vamos começar com o básico”. Por que vicia: modo aula forçado.
Metáforas de viagem e descoberta
”Navegar pelos desafios”
Tipo: metáfora náutica genérica. Descrição: transforma qualquer problema em travessia marítima. Exemplos: “navegando pelas complexidades”, “navegar pelo cenário”. Variantes: “atravessar o terreno”, “trilhar o caminho”. Por que vicia: metáfora colada em qualquer tópico.
”No cenário atual”
Tipo: localização temporal vaga. Descrição: situa o assunto em um “hoje em dia” sem dizer nada. Exemplos: “No cenário atual, as empresas…”, “Na era digital em que vivemos…” Variantes: “No mundo de hoje”, “No contexto atual”, “Atualmente”. Por que vicia: abertura padrão de ensaio vazio.
”Paisagem / Tapeçaria / Mosaico”
Tipo: metáforas de cobertura de capa. Descrição: cobre qualquer tema com metáforas espaciais ou têxteis genéricas. Exemplos: “a paisagem da IA”, “a tapeçaria da história”, “um mosaico de culturas”. Variantes: “ecossistema”, “panorama”. Por que vicia: jornalismo preguiçoso levado ao extremo por LLM.
Fechamentos moralizantes
”Em última análise”
Tipo: sentença final moralizante. Descrição: fechamento que resume uma lição universal. Exemplos: “Em última análise, o que importa é…”, “No fim do dia…” Variantes: “No final das contas”, “Em última instância”. Por que vicia: conclusão com sabedoria genérica.
”Lembre-se de que…”
Tipo: pedagogia de fortune cookie. Descrição: fechamento em forma de conselho empacotado. Exemplos: “Lembre-se de que cada jornada é única.”, “Tenha em mente que…” Variantes: “Não esqueça”, “Tenha sempre em mente”. Por que vicia: quase todo texto de IA quer deixar mensagem final.
”Juntos, podemos…”
Tipo: coletivismo performático. Descrição: apelo coletivo de fechamento, comum em textos sobre tecnologia. Exemplos: “Juntos, podemos construir um futuro melhor.” Variantes: “Cabe a todos nós”, “É nossa responsabilidade coletiva”. Por que vicia: discurso institucional colado em qualquer tema.
Paralelismos e triádicas forçadas
”Não é sobre X, é sobre Y”
Tipo: antítese de copy. Descrição: estrutura de publicidade aspiracional. Exemplos: “Não é sobre o que você vende, é sobre a história que você conta.” Variantes: “Mais do que X, é Y.”, “Vai além de X.” Por que vicia: colagem de TED talk e LinkedIn.
”Seja X, seja Y, seja Z”
Tipo: enumeração inclusiva. Descrição: listagem de casos para dar sensação de abrangência. Exemplos: “Seja para iniciantes, seja para veteranos, seja para curiosos…” Variantes: “Quer você seja X ou Y”, “Independentemente de”. Por que vicia: forma mecânica de abrir parágrafo.
Disclaimers e hedges excessivos
”Vale lembrar que não sou um profissional”
Tipo: disclaimer profilático. Descrição: aviso legal dentro do texto, mesmo quando descabido. Exemplos: “Não sou médico, mas…”, “Isto não é aconselhamento financeiro, mas…” Variantes: “Consulte um especialista”, “Isto é apenas informativo”. Por que vicia: em contexto de escrita, soa a LLM fugindo de responsabilidade.
”Depende de vários fatores”
Tipo: hedge esquiva. Descrição: anuncia condicionalidade sem listar as condições. Exemplos: “A resposta depende de vários fatores”, “Varia caso a caso”. Variantes: “Não há resposta única”, “Há muitas variáveis”. Por que vicia: reflexo de treinamento para evitar respostas categóricas.
”É uma questão complexa”
Tipo: hedge de adiamento. Descrição: abertura que sinaliza dificuldade antes de responder. Exemplos: “Essa é uma questão complexa, mas…” Variantes: “É um tema delicado”, “Não há consenso”. Por que vicia: enche linha anunciando complexidade.
Tiques específicos em inglês
”Delve into”
Tipo: verbo marqueteiro EN. Descrição: verbo-assinatura de LLM anglòfono. Exemplos: “let’s delve into”, “we’ll delve deeper into”. Variantes: “dive deep”, “explore in depth”. Por que vicia: virou meme de detector humano de IA.
”Tapestry”
Tipo: metáfora têxtil. Descrição: tapeçaria aplicada a qualquer tema cultural, histórico ou narrativo. Exemplos: “the rich tapestry of human experience”. Variantes: “weave”, “fabric of”. Por que vicia: uso humano real é raro.
”Landscape / Realm”
Tipo: metáfora espacial genérica. Descrição: “the landscape of X”, “the realm of Y”. Exemplos: “the evolving landscape of AI”, “in the realm of possibility”. Variantes: “arena”, “sphere”, “space”. Por que vicia: enche espaço sem nomear o assunto.
”Testament to”
Tipo: fórmula de elogio. Descrição: atribuição embolada de mérito. Exemplos: “a testament to human ingenuity”. Variantes: “a tribute to”, “speaks to”. Por que vicia: enquadra conquistas sempre do mesmo jeito.
”Furthermore / Moreover / Additionally”
Tipo: conectivos ensaísticos pesados. Descrição: conectivos formais para adicionar parágrafos em série. Exemplos: “Furthermore, we must consider…”, “Moreover, it is evident that…”. Variantes: “In addition”, “What’s more”. Por que vicia: texto bom quase sempre usa “e” ou nada.
Estruturas de texto suspeitas
Sanduíche explicativo
Tipo: arquitetura de parágrafo. Descrição: parágrafo abre anunciando o que vai dizer, diz, e fecha resumindo. Exemplos: “Neste parágrafo, vamos explorar X. [explicação]. Em resumo, X é importante porque…” Variantes: qualquer parágrafo com abertura e fechamento meta. Por que vicia: herança escolar amplificada.
Bullets em tudo
Tipo: formatação automática. Descrição: transformar prosa em lista mesmo quando o conteúdo flui em parágrafo. Exemplos: converter narrativa em três bullets quando uma frase resolve. Variantes: numeração excessiva, sub-bullets desnecessários. Por que vicia: LLM tem default de listar.
Parágrafos de tamanho idêntico
Tipo: arquitetura monótona. Descrição: todos os parágrafos com 3-4 linhas, sem variação de ritmo. Exemplos: qualquer texto longo de LLM sem revisão. Variantes: frases todas do mesmo tamanho. Por que vicia: escrita humana varia.
Títulos performáticos
Tipo: headings inflados. Descrição: subtítulos grandiloquentes em textos que não pediam. Exemplos: ”## A Jornada Começa”, ”## O Poder Transformador De X”. Variantes: Title Case em português, emojis nos títulos. Por que vicia: o modelo quer parecer bem estruturado e empola.
Links relacionados
- [[skill-analise-de-estilo|Skill - Análise de estilo]]
- [[como-funciona-o-claude-md|Como funciona o CLAUDE.md]]